Proteger e preservar o objeto livro é um cuidado constante desde o inÃcio de sua história. Os egÃpcios, por exemplo, protegiam as bordas de seus rolos de papiro com tiras coladas. Já os antigos gregos e romanos costumavam envolvê-los em capas de pele ou pano ou, em se tratando de obras mais valiosas, em bibliotecas, (biblio + theka, cofre para livros), ou seja, cilindros de madeira, pedra ou metal onde se acomodavam vários rolos (ao lado).Â
A prática de encadernar os livros para melhor conservá-los foi uma decorrência natural da passagem do rolo para o códex, que foi se sistematizando no Império Romano partir do século I.
Os primeiros livros eram compostos de folhas simples de pergaminho, mais tarde de papel, dobradas duas vezes e reunidas em cadernos (de quaterni, quatro páginas de que resultava a dobradura), costurados na dobra com nervos. Os cadernos eram por sua vez costurados a flexÃveis tiras de couro em ângulo reto com o dorso. Mais tarde, a folha tornou-se maior e era dobrada mais vezes.
O pergaminho tendia a ondular e, para manter as folhas planas, criou-se o hábito de prendê-las entre duas tabuletas de madeira. O passo seguinte foi prender a essas tabuletas as pontas das tiras que já prendiam os cadernos, a seguir cobrindo com couro as tabuletas ao mesmo tempo que o dorso, criando-se assim a lombada. Estavam dados os princÃpios da encadernação tal qual a conhecemos.
Até o Renascimento, os livros não eram guardados em pé, mas deitados nas prateleiras ou mesas. Suas capas continham espécies de calombos, feitos de metal ou pedra incrustada, que os mantinham erguidos acima da superfÃcie, driblando a umidade. A lombada, pouco visÃvel, não continha o tÃtulo, sendo este escrito em etiquetas, não raro protegidas por chifre transparente, atadas à capa. Para evitar a ondulação do pergaminho, fechos e brochas nas bordas das tabuletas mantinham o livro bem fechado *![]()
*por Dorothée de Bruchard extraido do Escritório do Livro.Â


